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8 de março de 2013 - Memória – Hernâni Donato (1922-2012)

Conheci o historiador Hernâni Donato no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, quando falávamos da complexidade do tema apresentado na obra Sumé e Peabiru, de sua autoria, que enfoca um dos maiores mistérios do século do descobrimento do Brasil. Na verdade, até hoje é um tema desafiador e que, certamente, refletiu no surgimento de cidades nas imediações desse caminho pré-cabralino que ligava o Atlântico ao Pacífico. Foi notória sua atenção e o ilustre escritor, além das explicações inquiridas, falou também sobre a história de nossa região. Disse-me, para minha surpresa, que já conhecia alguns tópicos da pesquisa que eu estava fazendo sobre a História de Porangaba. Presenteou-me, depois, com um exemplar da obra “Sumé e Peabirú”, onde me honrou com dedicatória elogiosa e gratificante. O fato,  que ocorreu em janeiro de 1999,  muito me emocionou.

 

 

Donato nasceu em Botucatu (SP) em 12 de outubro de 1922. Sua vocação literária começou muito cedo, pois, aos 11 anos de idade ele escreveu ( a quatro mãos com Francisco Marins ) o romance infantil “O Tesouro”, publicado em capítulos no suplemento literário de um jornal dos Diários Associados. A partir daí, sempre soube que ganharia a vida escrevendo, qualquer que fosse o assunto. Resolveu dedicar seu talento a todos os gêneros.  Estudou ainda dramaturgia (na Escola de Arte Dramática) e sociologia, curso que abandonou para se aventurar em uma expedição que desbravaria a antiga trilha indígena até o Paraguai, chamada de Caminho do Peabiru.  Ao longo de sua carreira, publicou livros em quase todos os gêneros: infantil: (“Apuros do Macaco Pium”), juvenil: (“História do Calendário”), história: (“História dos Usos e Costumes do Brasil”); (Dicionário das Batalhas Brasileiras); (Braz Cubas). Em 1965, traduziu para o português o clássico “A Divina Comédia”, de Dante. Entre seus romances, o mais conhecido é “Selva Trágica” (1960), reeditado pela Letra Selvagem no ano passado. O livro conta a história de trabalhadores de uma plantação de erva-mate na fronteira Brasil-Paraguai. Em 1963, inspirou um filme homônimo dirigido por Roberto Farias. Para o cinema também escreveu,  entre  outros, o roteiro do filme “O Caçador de Esmeraldas”, (1979), dirigido por Oswaldo de Oliveira.

 

 

Uma de suas obras mais conhecidas foi o livro “Achegas para a  História de Botucatu”, a mais completa e rica obra sobre a origem daquela cidade. Ele foi presidente, em duas gestões, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Foi membro da Academia Paulista de História, sócio-correspondente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Foi funcionário público municipal e federal. Participou da Comissão Organizadora dos Festejos do IV Centenário da cidade de São Paulo (1954) e de outros programas culturais.  Colaborou com revistas (entre elas, a Revista Veja),  jornais e atuou na TVs Tupi, Record e Nacional (antecessora da TV Globo).  O escritor ocupava a cadeira 20 da Academia Paulista de Letras e a cadeira nº 01 da Academia Sul-Mato-grossense de Letras. Lutava contra um câncer de  próstata. Morreu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no dia 22/11/12. Foi sepultado no cemitério Gethsemani  no Morumbi. Tinha 90 anos de idade; deixou viúva, três filhos e quatro netos.  Legou uma extensa folha  de serviços  prestados  ao  Brasil  com  uma infinidade de obras literárias que irão se perpetuar.

 

Júlio Manoel Domingues

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