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28 de fevereiro de 2016 - Os Porangabenses e a 2ª Guerra Mundial

“A FEB era um bom resumo do povo do Brasil, não só porque tinha soldados de todos os seu Estados e de todas as classes sociais e níveis de cultura, como porque levava todos os seus defeitos e improvisações, todas as suas incoerências e mitos, todas as falhas e virtudes desse povo”. (Rubem Braga – Revista Realidade, 1969).

 

O Exército Brasileiro organizou a força expedicionária que tomou parte ativa na invasão e conquista da Itália. De acordo com os planos originais, o Brasil deveria enviar à Europa 3 divisões de infantaria no total de 60.000 homens, porém o objetivo foi atingido apenas em parte. Foram enviados oficialmente 14.254 homens (734 oficiais e 13.520 praças) como tropa combatente. A colaboração brasileira no tocante às forças terrestres restringiu-se, portanto, à uma divisão (1ª. Divisão de Infantaria Expedicionária) e alguns elementos do Corpo do Exército e dos Serviços Gerais, no total de 25.334 homens. Seguiram, também, 67 enfermeiras que trabalharam em hospitais americanos. A FEB era uma divisão incorporada ao Exército dos EUA. O comando do Corpo Expedicionário coube ao general de divisão João Batista Mascarenhas de Moraes. A participação brasileira na guerra foi relevante para a vitória dos Aliados, pois, além da contribuição militar, demos uma colaboração econômica considerável. Os prejuízos, sem considerar as despesas de guerra, atingiram 1,5 bilhão de cruzeiros e, ainda, como agravante, ao terminar a guerra, o Brasil não foi convidado para a Conferência de Paris que fez o rateio das quotas de reparações. Segundo o critério adotado, à semelhança de outros paises sul-americanos, que foram meros expectadores, o Brasil deveria ser ressarcido de seus prejuízos mediante às incorporações dos bens alemães já penhorados para tal fim.

 

De acordo com o tenente-coronel Thomaz Castello Branco (“O Brasil  na  2ª. Guerra”, Biblioteca do Exército, Rio de Janeiro, 1960), as baixas brasileiras  foram : 1899 mortos, sendo 8 da Aeronáutica; 443 do Exército; 469 da Marinha Mercante; 476 da Marinha de Guerra; 503 entre civis e militares. Os danos materiais foram 22 aviões e 34 navios.

 

“A maioria dos soldados da FEB nunca tinha saído do Brasil.  Menos ainda eram os que tinham visto neve, ou escalado algo mais do que uma colina. Um número ainda menor de soldados já tinha alguma vez participado de algum tipo de combate – uns poucos eram veteranos da Revolução Constitucionalista de 1932, que não se caracterizou por combates ferozes. De repente, eles saíram de seu país tropical e tiveram de cavar trincheiras no solo duro e coberto de neve, subindo montanhas íngremes debaixo de fogo de metralhadora, canhão e morteiro”. (Fonte: “A Nossa Segunda Guerra” Ricardo Bonalume Neto – Editora Expressão Cultura, 1995).

 

A FEB foi aprendendo. As missões dadas aos brasileiros foram cumpridas e, não há dúvida de que, quando acabou a guerra, os pelotões brasileiros de infantaria poderiam ser comparados a quaisquer outros dos exército aliado. Muitos oficiais e soldados foram condecorados pelo Exército dos EUA.

 

Os Expedicionários Porangabenses - Após as agressões sofridas pela Marinha Mercante e a declaração de guerra, o Brasil enviou a FEB – Força Expedicionária Brasileira para atuar na frente italiana. Da nossa pequenina Porangaba partiram os seguintes porangabenses: Estevão Baldacin; Jaime Martins; José Sant’ana Fernandes; Roque Mariano; Anselmo Alegre Bueno; João Pires de Oliveira; Silvério Diniz Vaz e Franklin Barbosa Carneiro.

 

Todos retornaram, mas a maioria já faleceu; foram simplesmente esquecidos pela sociedade e autoridades locais. Nunca foram homenageados, nunca foram honrados pela comunidade, nunca receberam o devido respeito. Nem sequer um nome de rua – o que  mostra  o desprezo total da edilidade e da municipalidade. O tempo passou e foram totalmente ignorados.

 

Sr. Benedito Aires de Campos, expedicionário, veio de Tatuí e viveu aqui grande parte de sua vida. Conhecido por nhô Dito, trabalhou no Posto de Saúde. Ao lado da esposa Dona Maria, formou respeitável família. Pessoa afável, sempre cercado pelos amigos, gostava de contar causos e as aventuras vividas na Itália. Nossos preito de saudades ao inesquecível nhô Dito.

 

Tivemos também os “pracinhas porangabenses”, que indiretamente participaram da guerra; foram os reservistas convocados que não embarcaram, mas que permaneceram de prontidão, aquartelados ou guardando a costa brasileira: Décio da Silveira Campos, Oscar José Gregório, Benedito Canhambora, Sebastião Cardoso, José Alves de Camargo (Juquinha), Nicanor de Arruda (Lico), Carmo da Luz e outros.

 

Foto: “Cruz de Combate II Classe e Distintivo da Força Expedicionária Brasileira,  A Cobra Fumando” em http://frontantiguidades.com/blog/medalhas-brasileiras/cruz-de-combate-forca-expedicionaria-brasileira  

 

 

Júlio Manoel Domingues

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